Author: Résia Morais
•12:04

No cotidiano nos deparamos com crianças impulsivas e desatentas que estressam por pouca coisa. São ingratas e em muitas vezes agressivas. Esse comportamento, geralmente confundido com indisciplina e teimosia, é característico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), um dos transtornos mentais mais comuns na infância e na adolescência e dez vezes mais comum nos meninos do que nas meninas. É caracterizado por desatenção, atividade motora excessiva e impulsividade, inadequados à etapa do desenvolvimento e presente em ao menos dois ambientes distintos. Metade das crianças hiperativas tem menos problemas comportamentais quando seguem uma dieta livre de substâncias como flavorizantes, corantes, conservantes, glutamato monossódico, cafeína, açúcar e chocolate.

O comportamento hiperativo pode estar relacionado a uma perda da visão ou audição, estresse emocional ou distúrbios do sono. Devido à sua energia, curiosidade e necessidade de explorar, são propensas a se machucar e a quebrar e danificar coisas.

A criança hiperativa apesar da "dificuldade de aprendizado”, geralmente é muito inteligente. Sabe que determinados comportamentos não são aceitáveis, mas não consegue desacelerar o sistema nervoso, a ponto de utilizar o potencial mental necessário para concluir uma tarefa. A criança hiperativa muitas vezes se sente carente e isolada dos colegas. Fica perturbada com suas próprias incapacidades e pode sofrer de estresse, tristeza e baixa auto-estima.

Um especialista em comportamento infantil ajudará a distinguir a criança normalmente ativa e enérgica da criança realmente hiperativa. As crianças até mesmo as menores podem correr, brincar e agitarem-se felizes durante horas sem cochilar, dormir ou demonstrar qualquer cansaço. Para garantir que a criança realmente hiperativa seja tratada adequadamente e evitar o tratamento inadequado de uma criança normalmente ativa é importante a realização de um diagnóstico preciso.

Acredito que o primeiro passo da família ou do professor seria observar se esse estado de agressividade ou hiperatividade se instale de forma permanente ou é um estado temporário, e se a criança apresenta em casa, dificuldades em se relacionar, falar, expressar emoções, entre outras. Depois, observar como ela brinca, se persiste nas atividades se brinca mais sozinha ou com outras crianças. É preciso refletir, também, sobre o clima familiar, o que está sendo exigido da criança e qual é a capacidade de tolerância dos adultos para com as atitudes dela.

Muitas vezes, o comportamento da criança pode ser confundido ou interpretado, por adultos desavisados como teimosia. No entanto, esse é o modo dela expressar sua curiosidade, sua ânsia por experimentar sensações e situações novas (desafios), não conseguindo conter sua ansiedade. Vale considerar que cada criança reage de acordo com sua personalidade.

Caso seja constatada uma conduta acentuada e permanente, cabe além dessa simples observação, buscar um entendimento mais profundo de seu significado, através da consulta de especialistas (psicólogo e médico) com o objetivo de investigar se essa conduta possui uma causa orgânica, de fundo físico, se sugere um tratamento neurológico e ou/ psicológico, ou se é uma influência do meio em que a criança vive. A teimosia e a ausência de limites podem estar mascarando uma insatisfação da criança com seu meio ambiente e um desejo de mudá-lo; pode ser um protesto contra os pais ou contra as relações de conflito entre ele, e também, encobrir uma carência afetiva (necessidade de ser notada).

Nunca é demais lembrar que não existe uma resposta pronta, uma solução rápida, uma receita mágica que se ajuste a todos os casos e a todas as crianças, porque o TDAH tem seu papel orgânico mas pode ser um sintoma desenvolvido que esconde verdadeiros problemas psicológicos.


Psicóloga Résia S. Morais

resiamorais@gmail.com

Author: Résia Morais
•11:48

Com a publicação da Resolução CFP nº 05/2002, através do Conselho Federal de Psicologia, que regulamentou a prática da acupuntura para o psicólogo, e em 2006 a implantação da acupuntura em todo o território nacional, através do SUS; o psicólogo passou a ter mais uma ferramenta de trabalho. Essa proposta de aproximação entre os conhecimentos advindos das ciências e os conhecimentos orientais abre uma nova possibilidade, pois coloca, a serviço do homem, “conhecimentos” que podem ser utilizados para resolver ou aliviar o sofrimento humano, quer seja ele físico ou mental.

A Acupuntura é uma terapêutica milenar que faz a prevenção, tratamento e cura de patologias através da inserção de finíssimas agulhas em determinadas regiões do corpo chamadas de “pontos de acupuntura”. Os seus excelentes resultados são reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (WHO, 2002) e por pesquisas científicas. A Acupuntura estimula as fibras sensitivas do Sistema Nervoso Periférico (SNP) fazendo com que ocorra uma transmissão elétrica via neurônios para produzir alterações no Sistema. Nervoso Central (SNC), o qual libera substâncias (ex.: cortisol, endorfinas, dopamina, noradrenalina, serotonina) que promovem bem-estar, prevenção e tratamento de doenças, sejam elas psicológicas, biológicas e/ou comportamentais. Há evidências de que a Acupuntura pode substituir o uso de remédios (sendo mais efetiva, rápida, duradoura, sem dependência, sem efeitos colaterais importantes, com menor custo financeiro ao paciente).

A “Organização Mundial de Saúde” (WHO, 2002) publicou um documento que divulgou os resultados científicos da Acupuntura em comparação com o tratamento convencional (remédio) para 147 doenças. Alguns desses achados são:

  • Ansiedade - Eficácia superior à medicação convencional (mas sem efeitos colaterais).
  • Depressão - Eficácia similar à medicação convencional (mas sem efeitos colaterais).
  • Enxaqueca - Eficácia em 80% dos casos.
  • Esquizofrenia - Eficácia superior à da medicação convencional (78% dos casos).
  • Impotência sexual (não orgânica) - Eficácia em 60% dos casos.
  • Infertilidade - Eficácia em 75% dos casos.
  • Insônia - O sono foi totalmente normalizado em 98% dos casos.
  • Obesidade - Supressão do apetite em 95% dos casos.
  • Reações à radioterapia e/ou quimioterapia - Náuseas, vômitos e falta de apetite foram eliminadas em 93% dos casos.
  • Retardo mental - Aumento de 21% no QI (inteligência) e de 18% na adaptação social.

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a condição de saúde é resultante da condição da existência de certo equilíbrio entre todos os sistemas internos físicos ou psíquicos. A situação de desequilíbrio é expressa por sinais de hiperfuncionalidade, excitação, excesso, ou por uma manifestação de hipofuncionalidade, como a depressão ou uma insuficiência. Tais sinais poderiam apontar a direção de uma condição que levará ao sofrimento, seja ele físico ou mental.

A grande importância do psicólogo se dá nesse tipo de tratamento, pois a manifestação da emoção revela a natureza do distúrbio (excesso ou insuficiência) que afeta o órgão. Dessa forma, usando-se as emoções como um dos indicadores, é possível conhecer o desequilíbrio que afeta e, através da acupuntura, e do tratamento psicológico, corrigir esse desequilíbrio.

Psicóloga Résia Silva de Morais

resiamorais@gmail.com

Referencias Bibliográficas:

WORLD HEALTH ORGANIZATION [WHO] (2002). Acupuncture: Review and analysis of reports on controlled clinical trials, WHO Geneva, (35 Swiss Francs).