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No cotidiano nos deparamos com crianças impulsivas e desatentas que estressam por pouca coisa. São ingratas e em muitas vezes agressivas. Esse comportamento, geralmente confundido com indisciplina e teimosia, é característico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), um dos transtornos mentais mais comuns na infância e na adolescência e dez vezes mais comum nos meninos do que nas meninas. É caracterizado por desatenção, atividade motora excessiva e impulsividade, inadequados à etapa do desenvolvimento e presente em ao menos dois ambientes distintos. Metade das crianças hiperativas tem menos problemas comportamentais quando seguem uma dieta livre de substâncias como flavorizantes, corantes, conservantes, glutamato monossódico, cafeína, açúcar e chocolate.
O comportamento hiperativo pode estar relacionado a uma perda da visão ou audição, estresse emocional ou distúrbios do sono. Devido à sua energia, curiosidade e necessidade de explorar, são propensas a se machucar e a quebrar e danificar coisas.
A criança hiperativa apesar da "dificuldade de aprendizado”, geralmente é muito inteligente. Sabe que determinados comportamentos não são aceitáveis, mas não consegue desacelerar o sistema nervoso, a ponto de utilizar o potencial mental necessário para concluir uma tarefa. A criança hiperativa muitas vezes se sente carente e isolada dos colegas. Fica perturbada com suas próprias incapacidades e pode sofrer de estresse, tristeza e baixa auto-estima.
Um especialista em comportamento infantil ajudará a distinguir a criança normalmente ativa e enérgica da criança realmente hiperativa. As crianças até mesmo as menores podem correr, brincar e agitarem-se felizes durante horas sem cochilar, dormir ou demonstrar qualquer cansaço. Para garantir que a criança realmente hiperativa seja tratada adequadamente e evitar o tratamento inadequado de uma criança normalmente ativa é importante a realização de um diagnóstico preciso.
Acredito que o primeiro passo da família ou do professor seria observar se esse estado de agressividade ou hiperatividade se instale de forma permanente ou é um estado temporário, e se a criança apresenta em casa, dificuldades em se relacionar, falar, expressar emoções, entre outras. Depois, observar como ela brinca, se persiste nas atividades se brinca mais sozinha ou com outras crianças. É preciso refletir, também, sobre o clima familiar, o que está sendo exigido da criança e qual é a capacidade de tolerância dos adultos para com as atitudes dela.
Muitas vezes, o comportamento da criança pode ser confundido ou interpretado, por adultos desavisados como teimosia. No entanto, esse é o modo dela expressar sua curiosidade, sua ânsia por experimentar sensações e situações novas (desafios), não conseguindo conter sua ansiedade. Vale considerar que cada criança reage de acordo com sua personalidade.
Caso seja constatada uma conduta acentuada e permanente, cabe além dessa simples observação, buscar um entendimento mais profundo de seu significado, através da consulta de especialistas (psicólogo e médico) com o objetivo de investigar se essa conduta possui uma causa orgânica, de fundo físico, se sugere um tratamento neurológico e ou/ psicológico, ou se é uma influência do meio em que a criança vive. A teimosia e a ausência de limites podem estar mascarando uma insatisfação da criança com seu meio ambiente e um desejo de mudá-lo; pode ser um protesto contra os pais ou contra as relações de conflito entre ele, e também, encobrir uma carência afetiva (necessidade de ser notada).
Nunca é demais lembrar que não existe uma resposta pronta, uma solução rápida, uma receita mágica que se ajuste a todos os casos e a todas as crianças, porque o TDAH tem seu papel orgânico mas pode ser um sintoma desenvolvido que esconde verdadeiros problemas psicológicos.
Psicóloga Résia S. Morais
resiamorais@gmail.com


1 comentários:
Boa noite Résia! Tudo bem? Parabéns pelo artigo! Achei muito bom! Diferente de outros textos você conseguiu transferir de forma clara todavia pautada em conhecimento científico sinais e sintomas típicos das crianças que apresentam deficit de atenção e hiperatividade.
Espero poder trocar outras informações com você. Também tenho um blog www.pontoterapeutico.blogspot.com e recentemente estarei postando uma tag sobre esta temática devida a uma internauta que me encaminhou um email solicitando maiores informações.
Espero sua vista e mais uma vez parabéns por apresentar a psicologia a toda comunidade quebrando assim a distância e estigma que grande parte da população apresenta para com nossa profissão e ciência.